Ensaio Sobre Vida e Morte
Vejo que não mais pensamos na morte - podes pensar que é um assunto um tanto quanto indigesto, e por que raios deverias ficar pensando em tais cousas ?-, vejo somente que pensamos como viver, pensamos em como fazer nossas enfadonhas vidas valerem o suor que nos corta o rosto, como ganhar mais dinheiro para termos uma rica cheia de prazeres, sem nenhuma agrura. Nunca mais nos pegamos pensando na morte, nem tampouco pelo que morrer, assaz desagradável tema para se discutir, mas de extrema importância. Como podemos viver sem ter uma mínima noção de pelo que morreríamos ? Pergunto-te isso, de sã consciência, por saber que não pensas nisso, mas se não pensas, pensarás, mais cedo do que imaginas.
Pegamo-nos pensando em trabalho, pegamo-nos pensando em dinheiro, pegamo-nos pensando em todas as coisas mais desprezíveis e sujas como a anteriormente dita, mas não nos pegamos pensando na travessia mais amedrontadora, e talvez, a mais importante. Todos nossos segundos, minutos, horas, meses, dias, anos, nos levam a esse único momento, o momento que nos transcenderá ao algo inexistente ou existente, o Firmamento ou o Fogo Eterno, ou para os mais cépticos o simples fogo-fátuo.
Acabaremos nós em algum lugar tão calmo que até os dias mais calmos de nossas vidas parecerão uma alusão de tranquilidade e que nenhuma daquelas preocupações que tanto nos aturdiram valeram a pena ? Será que nossos amores nos acompanharam como nossos votos nupciais prevêem ? Ou simplesmente acabaremos inacabados ? Acabaremos do mesmo jeito que começamos, sem nada, tampouco alguém, terminaremos sozinhos, libertos, mas presos aos grilhões terrenos de decomposição e aviltamento corpóreo.
E acabamos todos morrendo velhos, - não que eu não queira morrer velho - sem nunca termos lutado por algo. Por isso que quando vejo os conflitos no Oriente-Médio penso uma única coisa : Nunca vi uma coisa tão idiota que valesse tanto a pena morrer. Sim, podem me chamar de louco, de burro, de qualquer coisa, mas eles, sim eles, morrem por algo que valorizam, e ideais deveriam ser muito mais valorizados que uma aposentadoria e ver os netos crescerem. Não que eu tenha lutado em guerras, não que eu queira lutar, mas como seria bom morrer por algo que valha a pena.
Mas creio que isso nunca chegará, e caso chegue a minha porta eu me esconda debaixo da cama e grite que não, que tenho medo, ou algo assim, mas o fato de minha vida ser em vão é algo que me entristece demais, saber que meus netos talvez nem me conheçam, ser somente mais um em fotos de família, o um por quem ninguém chorará, o que não terá saraivadas quando abaixarem o caixão; não que eu queira essas coisas, mas não vejo como morrer, sem ser por algo que valha a pena. E sei que vou morrer velho, por um único motivo : Não querer morrer inútil, e é exatamente o que acontecerá.
Pegamo-nos pensando em trabalho, pegamo-nos pensando em dinheiro, pegamo-nos pensando em todas as coisas mais desprezíveis e sujas como a anteriormente dita, mas não nos pegamos pensando na travessia mais amedrontadora, e talvez, a mais importante. Todos nossos segundos, minutos, horas, meses, dias, anos, nos levam a esse único momento, o momento que nos transcenderá ao algo inexistente ou existente, o Firmamento ou o Fogo Eterno, ou para os mais cépticos o simples fogo-fátuo.
Acabaremos nós em algum lugar tão calmo que até os dias mais calmos de nossas vidas parecerão uma alusão de tranquilidade e que nenhuma daquelas preocupações que tanto nos aturdiram valeram a pena ? Será que nossos amores nos acompanharam como nossos votos nupciais prevêem ? Ou simplesmente acabaremos inacabados ? Acabaremos do mesmo jeito que começamos, sem nada, tampouco alguém, terminaremos sozinhos, libertos, mas presos aos grilhões terrenos de decomposição e aviltamento corpóreo.
E acabamos todos morrendo velhos, - não que eu não queira morrer velho - sem nunca termos lutado por algo. Por isso que quando vejo os conflitos no Oriente-Médio penso uma única coisa : Nunca vi uma coisa tão idiota que valesse tanto a pena morrer. Sim, podem me chamar de louco, de burro, de qualquer coisa, mas eles, sim eles, morrem por algo que valorizam, e ideais deveriam ser muito mais valorizados que uma aposentadoria e ver os netos crescerem. Não que eu tenha lutado em guerras, não que eu queira lutar, mas como seria bom morrer por algo que valha a pena.
Mas creio que isso nunca chegará, e caso chegue a minha porta eu me esconda debaixo da cama e grite que não, que tenho medo, ou algo assim, mas o fato de minha vida ser em vão é algo que me entristece demais, saber que meus netos talvez nem me conheçam, ser somente mais um em fotos de família, o um por quem ninguém chorará, o que não terá saraivadas quando abaixarem o caixão; não que eu queira essas coisas, mas não vejo como morrer, sem ser por algo que valha a pena. E sei que vou morrer velho, por um único motivo : Não querer morrer inútil, e é exatamente o que acontecerá.
