Cansaço - Filosofia de Entardecer
Hoje percebo, caro leitor, que vivemos em constantes desencontros, principalmente emocionais. Percebo que não mais gostamos, tampouco amamos as pessoas, somente gostamos de tê-las por perto, e assim começamos a sentir um afeto grande por elas, que talvez não passe de uma simples vontade de não ficarmos sozinhos, mas por fim acabamos ficando. E então nos sentimos como Arnolfo, que vê sua inocente Inês ir-se embora sem poder fazer nada.
Digo-lhes isso pois ontem mesmo, estive com pessoas que não via há muito tempo; ficamos quietos olhando para o chão grande parte do tempo, mas via-se amizade ainda existente, porém vaga. E no final, vejo que quando sentia um grande afeto por elas, não realmente as amava, e simplesmente gostava de passar o tempo com elas; e no final das contas, isso importa mais que o amor, pois tal coisa hoje é praticamente utópica, e quando torna-se palpável, extingue-se com a mesma facilidade com a qual se acende.
Então acabamos como o Sonhador; temos Nastenka por um minuto, vivemos esse um minuto, e o revivemos mil e uma vezes nas nossas mil e uma noites. Acreditamos nesses momentos, nos prendemos a eles, o que nos faz ter saudade do momento, e não das pessoas que o fizeram. O amigo leitor deve achar que estou ficando louco, embora saiba que estou certo, não crê que ele pode ser essa criatura de momentos e vicissitudes, de tempo e não de corpo; e saiba, para mim mesmo é difícil, vejo-me amando momentos e não pessoas. Enfáticos momentos, gloriosos momentos...Ah, que saudade !
E por fim vemos que a abstinência amorosa da qual sofremos torna-se somente saudade, e vivemos nossos sonhos, vivemos eternas Noites Brancas, e como o maior de todos nós já disse : " Um minuto inteiro de felicidade ! Afinal, não basta isso pra encher a vida inteira de um homem ?..."
Digo-lhes isso pois ontem mesmo, estive com pessoas que não via há muito tempo; ficamos quietos olhando para o chão grande parte do tempo, mas via-se amizade ainda existente, porém vaga. E no final, vejo que quando sentia um grande afeto por elas, não realmente as amava, e simplesmente gostava de passar o tempo com elas; e no final das contas, isso importa mais que o amor, pois tal coisa hoje é praticamente utópica, e quando torna-se palpável, extingue-se com a mesma facilidade com a qual se acende.
Então acabamos como o Sonhador; temos Nastenka por um minuto, vivemos esse um minuto, e o revivemos mil e uma vezes nas nossas mil e uma noites. Acreditamos nesses momentos, nos prendemos a eles, o que nos faz ter saudade do momento, e não das pessoas que o fizeram. O amigo leitor deve achar que estou ficando louco, embora saiba que estou certo, não crê que ele pode ser essa criatura de momentos e vicissitudes, de tempo e não de corpo; e saiba, para mim mesmo é difícil, vejo-me amando momentos e não pessoas. Enfáticos momentos, gloriosos momentos...Ah, que saudade !
E por fim vemos que a abstinência amorosa da qual sofremos torna-se somente saudade, e vivemos nossos sonhos, vivemos eternas Noites Brancas, e como o maior de todos nós já disse : " Um minuto inteiro de felicidade ! Afinal, não basta isso pra encher a vida inteira de um homem ?..."

3 Comments:
Não poderia ser mais verossímil.
Perfeito, é exatamente assim que acontece numa amizade verdadeira.
Como sempre Luden: aplausos pra você.
:D
Cara, você está DEFINITIVAMENTE lendo muito Machado.
Belo texto. Gostei.
eu prefiro ele sem o final - porque a sua idéia mudou (como tinha dito antes de completar)
muito bom!
;}
(sem o fim, claro)
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