<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018</id><updated>2011-06-07T23:19:27.715-07:00</updated><title type='text'>Crônicas Insólitas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-6358594437053685779</id><published>2007-08-28T15:02:00.000-07:00</published><updated>2007-10-02T19:47:32.702-07:00</updated><title type='text'>O Temível Relógio Devorador de Pessoas</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;"&lt;em&gt;Matamos o tempo e ele nos enterra&lt;/em&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;(Machado de Assis)&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Mais um cigarro é apagado ao ser esmagado contra o cinzeiro. Mais um copo de café é esvaziado. Embaralho as cartas novamente e começo de novo a jogar paciência enquanto ela não chega.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Levanto e caminho até a cozinha para buscar mais café. Ponho para ferver e enquanto isso tiro uma moeda do bolso e fico jogando cara-e-coroa comigo mesmo sem motivo aparente e não apostando nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Um estrondo. Tudo treme, a cafeteira cai no chão e perco a moeda de vista. Outro. Perco o equilíbrio e caio de joelhos. Apóio as mãos no chão e sinto o café queimando-as.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Vou aos tropeços até a sala. Os estrondos são repetidos e as cartas se espalham no chão. O ás de espadas e o coringa se perdem nas areias da pequena ampulheta que eu sempre virava a toda hora para ter a impressão de uma passagem do tempo mais rápida, e que agora não pára de vomitar dunas.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;E então surge. Um relógio gigantesco, monstruoso e pulante, que me puxa feito um imã. Sinto minha carne ser retalhada pelas horas, meus ossos esmigalhados pelos segundos e minha degolação sem julgamento pelos minutos.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;À meia noite, já fui consumido totalmente. E o relógio volta a realizar sua caçada insaciável de todos os desejos reprimidos, esperas eternas e incompreensões de toda uma vida. Meia-noite e um.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-6358594437053685779?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/6358594437053685779/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=6358594437053685779' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/6358594437053685779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/6358594437053685779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/08/o-temvel-relgio-devorador-de-pessoas.html' title='O Temível Relógio Devorador de Pessoas'/><author><name>billy shears</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_YhCxbJol4bY/SF16n1RGt9I/AAAAAAAAAbc/wI6vGwnmfRM/S220/naked+lunch+destaque.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-4791502524390819178</id><published>2007-07-15T21:31:00.000-07:00</published><updated>2007-10-02T19:55:29.940-07:00</updated><title type='text'>Homem de Preto</title><content type='html'>Johnny Cash não era o verdadeiro homem de preto. Apesar das roupas sempre pretas, apesar da voz mórbida, apesar de todo o mito formado em cima do homem, ele não era. Toda a escuridão dele encontrou redenção quando June Carter apareceu. Tudo ficou tão claro para ele, que ele próprio afirmou que começou a andar na linha, e que tudo estava abrasivo e quente, afinal, ele caíra no anel de fogo chamado amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu aqui, me pergunto onde está a linha e qual é a temperatura desse anel. E Cash, decompondo, não pode me ajudar. Minhas camisas sociais são listradas e minha voz não é muito diferente das que você ouve todo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom dia, senhor.&lt;br /&gt;-Oh, bom dia, querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no trabalho, enfim, digitando sem parar. Malditos novos registros. Como eu os odeio... E que afirmação tão superficial. Abro um botão da camisa para não transpirar tanto. Maldito verão. Hora de inserir as mesmas afirmações de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deseja alguma coisa, senhor?&lt;br /&gt;-Muitas, na verdade...&lt;br /&gt;-Eu quis dizer, para beber.&lt;br /&gt;-Ah, um chá, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ela. De joelhos por ela todos esses anos. Ela sempre tão cordial, gentil e atenciosa. Tudo o que um homem de preto quer e não consegue. Seja por insegurança, seja por egocentria, quem sabe, pelos dois. Mas ela é casada. Muita bem casada, segundo ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu... Quatro divórcios. Três filhos para pensão. Mil lágrimas quando tudo deu errado. Duvido que alguma tenha vindo de qualquer uma delas. Todas minhas, com raiva da minha própria pessoa por ser conformado demais mesmo com seus amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já senti a vontade de por um fim nisso tudo. Sair correndo pela rua gritando, evocando meus instintos mais animalescos ao ver qualquer coisa se movendo. Mas antes de qualquer coisa, o homem de preto é um conformista. Ele prefere alimentar culpa a buscar redenção. Ele prefere chorar no fim do casamento a chorar no casório. Deveria parar de escrever sobre mim na terceira pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho pela janela. Um casal se beijando. De um bar alguém ouve um novo hit romântico do verão. Coço o queixo repetidamente e mergulho agora na dúvida de por que uns conseguirem, outros não. Por que uns se apegam tanto, e outros, tão pouco. Desapegado, ou corajoso. É uma das duas coisas que eu queria ser. Encontro-me no estado de conformista e apegado. E me deprime nunca poder tê-la entre os meus braços. De que não irei chorar nosso divórcio, porque nem casar nós iremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Obrigado pelo chá.&lt;br /&gt;-De nada, senhor.&lt;br /&gt;-Então, tem novidades?&lt;br /&gt;-Sim, sim, o gráfico está sendo preparado e...&lt;br /&gt;-Não, eu quis dizer novidades sobre você.&lt;br /&gt;-Sobre mim?&lt;br /&gt;-Sim, sobre você. Você não me perguntou, mas este é um exemplo; ontem comprei um disco do Paulinho da Viola.&lt;br /&gt;-Pois é, senhor, sabe... Eu acabei de me divorciar.&lt;br /&gt;-Mas outro dia, você não disse...&lt;br /&gt;-...Que era bem casada. Sim, mas não tanto, pelo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mordo a tampa na caneta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas foi tão repentino... Vocês não pareciam à beira de um divórcio.&lt;br /&gt;-É... Talvez não. Mas a opinião alheia não correspondia à realidade.&lt;br /&gt;-E que realidade era essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio momentâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah... Eu me sinto tão mal em ficar falando, e causar desconforto no senhor.&lt;br /&gt;-Eu estou interessado em saber.&lt;br /&gt;-Tem certeza?&lt;br /&gt;-Se não quisesse, não perguntava.&lt;br /&gt;-Ele me disse... Que conheceu outra.&lt;br /&gt;-Oh meu Deus... Isso é tão irracional. E racional também.&lt;br /&gt;-Como assim?&lt;br /&gt;-Eu digo, ele tomou a atitude mais racional possível. Não te traiu, não foi movido pelo tesão do momento, acho eu.&lt;br /&gt;-E o irracional?&lt;br /&gt;-O acaso. Você está feliz, com uma vida estruturada, filhos, casa própria... Aí um dos dois conhece alguém e tudo desaba feito um castelo de cartas. – Fiz uma onomatopéia apropriada.&lt;br /&gt;-É... Verdade. – Ela abaixa a cabeça.&lt;br /&gt;-Oh, desculpe... Não queria entristecê-la com minhas divagações. Mas desejo melhor sorte na próxima vez.&lt;br /&gt;-O senhor tem cara de quem já teve essa sorte...&lt;br /&gt;-Não a tive quatro vezes. Não estou a tendo no presente momento.&lt;br /&gt;-E por que não?&lt;br /&gt;-Porque... Não consigo falar.&lt;br /&gt;-Ora, senhor... – ela esboçou um sorriso, angelical – E se essa pessoa gostar de você também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encosto e retiro repetidamente o joelho numa das pernas da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu... Prefiro que seja assim.&lt;br /&gt;-Ora, vamos... Aprenda a confiar nas pessoas...&lt;br /&gt;-Não consigo...&lt;br /&gt;-Por quê?&lt;br /&gt;-Acho que sei que, pela quinta vez, tudo estará caminhando mais uma vez ao fracasso.&lt;br /&gt;-Por que não tentar de novo, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei um soco na mesa. Ela ficou assustada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por que não. Eu já não aguento mais chorar – Soco, soco, soco.- toda noite, porque não tenho alguém, e quando tenho, sei que irei perder. Porque esse é o maldito destino. – Derrubo algumas lágrimas e abaixo a cabeça. Ela põe as mãos sobre meus ombros, toma fôlego e começa a falar.&lt;br /&gt;-Sabe senhor... Meu pai era um grande fã de cinema. E quando adolescente, me fez assistir junto com ele um filme muito lindo, chamado Sonata de Outono. Eu fiquei tão sufocada assistindo... Pensei quantos sorrisos e anos de leveza de consciência são perdidos porque simplesmente ficamos falando, e falando, e falando, mas nunca dizemos o que realmente importa.&lt;br /&gt;-Mas... Eu já estou esgotado. De tentar e não conseguir. Desculpe pelo drama barato em pleno local de trabalho.&lt;br /&gt;-Tudo bem, senhor. Eu tive todos os motivos para pensar assim. Mas meu agora ex-marido foi honesto comigo, pelo menos. Então... O senhor promete que vai tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O violão começa, a voz mórbida entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Desculpe, mas não. Eu vou perder a oportunidade, sim. E vou alimentar culpa. Mas eu já estou acostumado. Sigo uma religião cristã, baseada em um sistema de pecados, e você sabe, desde criança estou acostumado a sentir culpa. Até pelo que eu não fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, sem reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porém, não pense que vou me suicidar só por causa disso. Não de imediato, aos poucos. Por falar nisso, a senhorita aceitaria uma bebida depois do trabalho?&lt;br /&gt;-Aceito, sim, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrio. Ela caminha até a porta, abre e antes de ela sair, eu digo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Michelle...&lt;br /&gt;-Sim?&lt;br /&gt;-Antes de você sair, permita-me dizer; é a mulher mais linda com quem eu vou perder a oportunidade.&lt;br /&gt;-Talvez não precise perdê-la...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorri, e sai andando. Talvez tenha dado meu primeiro passo para a redenção. É como um filme que assisti outro dia, Magnólia. Todos acabam chorando por não buscarem redenção, perdão, enfim, serem conformados com a derrota. Como eu tenho sido até agora, e não sei se continuarei a ser. Não sei se minha alma se livrará desse terno preto, confortável e sufocante. Então vejo que sim, Johnny Cash talvez tenha me dado uma dica. Se ela for minha, andarei na linha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-4791502524390819178?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/4791502524390819178/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=4791502524390819178' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/4791502524390819178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/4791502524390819178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/07/homem-de-preto.html' title='Homem de Preto'/><author><name>billy shears</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_YhCxbJol4bY/SF16n1RGt9I/AAAAAAAAAbc/wI6vGwnmfRM/S220/naked+lunch+destaque.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-5998442075874514119</id><published>2007-06-29T19:13:00.000-07:00</published><updated>2007-06-30T13:07:03.021-07:00</updated><title type='text'>Perdidos no Ônibus</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Texto escrito por Bernardo e por Luden)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei o sinal para o ônibus parar, não faria diferença se não o desse, oito pessoas também deram o sinal e subiram como formigas, brigando para tentar pegar os últimos lugares onde se poderia sentar. Como sempre, esperei para subir por último, sempre fazia isso para talvez um outro ônibus vir e eu poder ir nele, caso estivesse mais vazio. E foi o que aconteceu. Dei o sinal e subi sozinho. Sentei-me no acento ao lado da janela e tentei dormir. Em vão...ônibus, lombadas, buracos, tudo que uma grande metrópole tem e te proíbe de dormir num ônibus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O sono ainda me dominava e a fumaça da cidade ainda embaçava meus óculos. Não seria dessa vez que eu iria dormir fora de casa, afinal, simplesmente, não consigo. Minha machucada coluna só agüenta uma linha reta para que eu consiga repousar decentemente, ou não. Eu deveria fechar todas as janelas desse maldito ônibus, meus óculos não param de embaçar, que porcaria! Mas aí, todos começaram a transpirar, e tudo ficaria embaçado de novo... Que vida eu levo - tudo está embaçado de forma irremediável...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então começo a analisar todas as pessoas possíveis, todas parecem tão aéreas, tão absortas em coisas desconhecidas por elas mesmas que ficam com caras de idiotas. Começo a assimilá-las com qualquer banda, ou com qualquer músico. Um senhor negro em pé ao meu lado me lembrava Miles Davis, uma senhora sentada no bando à minha frente tinha tantas rugas que me lembrava Iggy Pop. E ao meu lado, Um homem parecido com Buddy Holly se levantava de cinco em cinco minutos para abrir ou fechar a janela, jurei para mim mesmo que mandaria ele a merda se fizesse aquilo de novo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Marlon Brando, aonde quer que ele esteja agora, deve estar rindo da minha cara, pois mesmo quando era o Chefão Corleone ou o tarado Paul, ou ainda aquele general psicótico que eu não sei o nome, sempre teve rios de dinheiro para andar de limousine. Eu, aqui, nesse ônibus, só tenho dinheiro para no máximo pegar uns três táxis por semana se não quiser ficar sem dinheiro para pagar minhas contas. E um homem olha fixamente para mim, um pouco mais moço do que eu, com cabelos na altura dos ombros, barba por fazer e um olhar meio decadente, como todos aqueles rockstars com ilusões de grandeza possuem. O seu olhar é tenso, decidido e com certeza ele não guarda boas impressões sobre minha pessoa e minha implicância com janelas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acho que ele percebeu que estava me irritando. Até o jeito mesquinho deste homem me irrita: a fragilidade visível, os óculos fundo-de-garrafa, os ombros arqueados, o olhar medroso. Nem ratos de laboratório tem olhares tão medrosos. A inquietação que ele demonstra é algo impressionante, parece que está fugindo da polícia, quem sabe não esteja mesmo, hoje em dia até ratinhos como ele roubam...A camisa que ele usa parece-se com a minha, embora a minha esteja totalmente amassada e com manchas de cerveja. Acho que não gosto mais assim desta camisa...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tento não olhar para ele. Estalo os dedos, tento fazer isso de forma tranqüila, mas minha paranóia com esse homem não me ajuda no meu teatro. Mordo meu lábio inferior por me sentir na porcaria de um médico ou algo assim. Não que um sujeito de tão bronca aparência tenha alguma graduação na faculdade, mas... Reparo no broche que ele usa. Um broche daquela banda, Ramones. Bom, é uma situação sem retorno pelo que vejo. Mais um dos sujeitos que passam direto pelos discos do Chick Corea quando querem consumir música, economicamente falando... Ainda lembro quando três revistas diferentes rejeitaram minha análise de um disco dele...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Engraçado, tenho quase certeza de que ele ficou olhando alguns segundos pro meu botton e depois deu um suspiro de desdém. Ah se eu tivesse certeza de que isso realmente tivesse acontecido. Não sei bem o porquê, mas esse homem me irrita, a cara de constantemente descontente consigo mesmo, de frustrado, pensando assim ele se parece comigo até. Só que é de outra geração, tem todo aquele desdém que meu pai tinha quando me dava sermão. Aliás, ele lembra muito meu pai. E consequentemente lembra a mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me tornei o personagem principal da manhã de alguém, pelo jeito. Logo eu, que nunca fui santo, herói, vilão, enfim, nenhuma dessas figuras maniqueístas na vida de alguém. Para dizer a verdade, eu sempre fui o figurante, ruim demais para ser um ator coadjuvante. Na escola, ficava no fundo da sala, desenhando os meus colegas e professores. No trabalho, perto do local de saída, colocando uma pilha de papel na frente de livros autodepreciativos. Pelo menos nesses livros existem personagens principais. O grande personagem principal da minha vida, meu antagonista e amigo, são meus óculos. Ajeitei meu amigonista, olhei de novo para o rapaz e esbocei um sorriso mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o homem resolveu rir. Devo dizer que isso me pegou desprevenido, não consegui pensar no que fazer, ensaiei um sorriso amarelo e o fiz. Impressionado com a situação, dei uma gargalhada, tão profunda e longa que minha barriga começou a doer. Olhei para aquele homem sem mais tentar analisá-lo, não falei nada, só estiquei minha mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu depois do meu sorriso. Continuou sorrindo e esticou a mão. Fiquei indeciso entre olhar para ele e olhar para o chão. Ajeitei os óculos. Estiquei a mão de forma um pouco lenta, ainda que decidida. Batia os pés no chão com pouca força, mais nervosismo do que força. Agarrava o estofado do ônibus com a outra mão, e dessa vez sim, com bastante força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui segurar o riso, fiquei com medo de que talvez ele pensasse que estava rindo da cara dele. Peguei minha mochila que estava ao meu pé, coloquei ela em cima da minha perna, segurei a alça dela, dei o sinal, e disse: "Minha parada". Desci do ônibus rindo, não sei bem do que, nem por quê. Sei que estava feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei esticando a mão para cima, até agarrar uma barra de ferro e ficar de pé. Nunca mais irei ver aquele sorriso demencial. Ele nunca mais irá reparar na minha compulsão com as janelas de ônibus. Respiro fundo. Daqui a dois pontos é o meu trabalho. Caminho lentamente até a porta de saída do ônibus. Dando uma última ajeitada e uma última conferida em todos que estão no ônibus, a primeira e última vez que verei todos eles. Lembro então de uma charada. O que você faria se você estivesse nadando no mar e encontrasse um crocodilo? Você não faria nada. Não há crocodilos no mar. E muito provavelmente, aquele homem riu do meu momento de vã rebeldia ao desrespeitar essa charada que explica toda a minha existência...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-5998442075874514119?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/5998442075874514119/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=5998442075874514119' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/5998442075874514119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/5998442075874514119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/06/perdidos-no-nibus.html' title='Perdidos no Ônibus'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-4667491050072894044</id><published>2007-06-27T16:28:00.000-07:00</published><updated>2007-06-27T16:30:09.848-07:00</updated><title type='text'>O Caixão</title><content type='html'>Em um caixão. E, finalmente, no sentido denotativo. Carreguei a vida inteira a pífia vontade de isolamento. Aquela sensação de que, mesmo gigantesco, o mundo não tem coisas realmente cativantes para se ver nem pessoas realmente dignas para se falar. O velho sentimento de mártir de que as pessoas não lhe dão ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que eu deixei de egoísmo. Foi de uma hora para outra, mas tal conclusão teve uma ajuda. Uma ajuda musical, eu diria. Foi a música “The Sound Of Silence”, de Simon &amp; Garfunkel. Os versos me contaram toda a realidade. Tantos falando, tantos ouvindo... Mas sem comunicação nenhuma. Maior coincidência foi quando caiu na prova de inglês do vestibular. E eu aqui concedendo fúteis detalhes da minha nem um pouco útil vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponho que você esteja mais interessado do que foi descrito nas primeiras frases. Pois estou aqui, em um caixão, totalmente lacrado, forço as mãos contra a tampa, ouço barulho de terra cedendo. Como a obrigação moral e social de alguém que porventura acorda num caixão obriga, finjo desespero, socando a tampa desesperado, me revirando e debatendo com fingido grande nervosismo... Até ficar exausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a racionalizar, e aí vocês têm os primeiros parágrafos que abrem esse texto. Coço os braços de nervosismo como de praxe da minha pessoa quando me encontro situações que não sei como sair. Tudo teatro. Toda a conotação e desejo de consumo máximo da minha fobia social enfim se realiza e eu começo a interpretar o homem comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respiração se torna difícil. Já não sei se os olhos estão abertos ou fechados. Meu corpo está totalmente dormente e tudo está escuro. Será noite? Será dia? Em que cemitério estarei enterrado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brinquemos de teatro. Ó, pobre de mim, preso aqui, não sei que horas são, quanto tempo se passou, que estação do ano está, algum cachorro mijou na minha lápide?  Por que logo eu, por que não você, e não estou conseguindo ser muito convincente na minha tentativa, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o único jeito de ter algo a dizer. Posso ficar aqui sem beber e comer nada até definhar. Ou sufocar quando o ar estiver rarefeito demais. Infelizmente, não sou Uma Thurman para cavar o caminho de volta. Não tenho nenhum Bill para matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisco e abro os olhos, estalo e estico os dedos, respiro fundo e já com certa dificuldade. Começam a se materializar na minha visão cenas marcantes da minha vida, e acho que já estou morrendo. Ergo minha mão uns três centímetros até alcançar a tampa e continuar fazendo uma pressão mínima nela. Lembro-me dessa alta identificação com caixões, não querendo apenas estar em um para experimentar a sensação, mas tudo se ligando a caixões, minha cama, meu quarto, minha casa, minha escola, as formas geométricas construídas por mim na aula de matemática. Caixões, uma forma geométrica com um belo sentido para mim, desde que esteja com uma cruz estampada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu seja católico, evangélico, ou de qualquer outra religião. Ou de uma religião qualquer. Mas considero divertida toda essa simbologia que mesmo em um mundo totalmente informatizado, continuamos insistindo em usar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui um gótico imaturo cheio de espinhas, daqueles que habitam as grandes cidades. Também nunca gostei de chocar as pessoas. Nunca contei a ninguém essa admiração por caixões. Também não tenho catalepsia. Apenas estou em um caixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realização da minha lucidez de que acabaria aqui. Nem saberia quando, nem como, mas sei que acabaria aqui. Nesse espaço limitado, que posso me debater o quanto quiser que não há escapatória. Apelemos de novo para o sentido conotativo para podermos concluir que levei a vida assim. Tudo fechado, limitado e com um final apertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que se eu fosse ativista do Greenpeace, vegetariano ou qualquer coisa assim, estaria feliz por ser menos um a prejudicar o meio ambiente. Mas estaria sendo hipócrita porque não estaria realmente com vontade de permanecer aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou totalmente despido de hipocrisia e armado da mais profunda sinceridade e essa prisão me dá liberdade. Liberdade de pensamento. Eu, enfim, me libertei.  E sinto que em breve, estarei mais em liberdade ainda! Estarei livre desse caixão chamado carne, no qual venho me debatendo há anos, e agora, só agora, descobri que a morte é realmente feito um filme de Quentin Tarantino. Rápida, irônica, um espectador acharia engraçado, e eu sou o caixão esperando para receber um golpe. Pode vir, Beatrix Kiddo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-4667491050072894044?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/4667491050072894044/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=4667491050072894044' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/4667491050072894044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/4667491050072894044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/06/o-caixo.html' title='O Caixão'/><author><name>billy shears</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_YhCxbJol4bY/SF16n1RGt9I/AAAAAAAAAbc/wI6vGwnmfRM/S220/naked+lunch+destaque.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-5052781225238366647</id><published>2007-06-18T17:16:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T17:18:32.839-07:00</updated><title type='text'>Blues da Amargura</title><content type='html'>O corpo lívido da bela dama se encolhia fetalmente embaixo dos lençóis. E eu... Ainda não durmo. Ao invés disso, fumo. Queria poder ouvir alguma música, mas a casa não é minha. Resta-me então a cacofonia urbana. Os sons graves de motores, os agudos das buzinas, e os ambulantes são todos sopranos e barítonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até poucas horas atrás, ao invés de toda essa ópera, promovíamos um concerto de rock. Com o rebolado de Elvis, os gemidos de Mick Jagger e o amor de McCartney. Agora nossos corpos despidos já têm uma considerável distância entre si que só tendem a aumentar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para expressar a dor dos pensamentos, acho que convém deixar tudo pouco acessível e improvisado, como no bebop. Estaremos eu e ela no restaurante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Acho que vou pedir um sorvete...&lt;br /&gt;-Frio que nem você.&lt;br /&gt;-Se é assim... você pretende pedir chocolate amargo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha face abrirá um sorriso sarcástico. O estômago dela irá embrulhar e impropérios serão ditos. Sei que não farei nada, olharei para o prato de comida e alisarei o garfo com a ponta do dedo. Tenho a frieza, mas não tenho o sabor. Ela irá embora em passos furiosos, e não acho que o salto agulha que ela usa aguentará muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acenderei mais um cigarro, uma das únicas coisas que me lembra o que é calor. E mais uma vez aprenderei a lição que todo bom crítico de música sabe: no final, tudo é blues.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-5052781225238366647?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/5052781225238366647/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=5052781225238366647' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/5052781225238366647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/5052781225238366647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/06/blues-da-amargura.html' title='Blues da Amargura'/><author><name>billy shears</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_YhCxbJol4bY/SF16n1RGt9I/AAAAAAAAAbc/wI6vGwnmfRM/S220/naked+lunch+destaque.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-1831263371824695761</id><published>2007-05-11T13:10:00.000-07:00</published><updated>2007-05-11T13:11:35.706-07:00</updated><title type='text'>Frente Fria</title><content type='html'>Como nós odiamos quem bebe mais do que nós. Seria inveja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos intestinos processam litros e mais litros ao longo de nossas vidas. E não nos julgam, nem nos odeiam. Mas odiamos os outros, até o intestino. Era isso que eu pensava ao tomar a quarta dose de tequila. Bêbados agora, esses homens que agora se abraçam, sóbrios trocam sopapos e palavras indecorosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuaria pensando nisso se não tivessem derrubado cerveja em cima de mim. E o mais revoltante, mal esperou que eu começasse a confusão. O meu olhar indignado por molhar a camisa nova já começou um rebuliço. Minha tese falhou em não considerar os bêbados agressivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas claro, é algo que acontece em uma noite no bar, e que você não deve levar tão a sério assim. Trocamos garrafadas, arranhões, mordidas, unhadas, mas não trocamos socos ou chutes. O álcool eliminou nossa perícia marcial. Nossa grande frustração; nós queríamos lutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já separaram a briga. Eu ouvia um axé ao fundo. Tudo bem, meus ouvidos nunca tiveram o melhor gosto. E lá está o outro, no canto do bar passando gelo no rosto, e aqui estou, abraçado num caça-níquel. Duro e frio, me faz refletir que há um bom tempo estou assim. E que há dois anos não consigo manter uma relação estável, confortável e quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anteontem, a mulher do tempo, no telejornal, avisou que a frente fria vinha se aproximando. Profissão ingrata a dela. Avisar que tudo deixará de ser quente, vivo e convidativo e anunciar a queda das folhas, o maior distanciamento das pessoas que passam a viver dentro de seus grandes casacos e a dureza de apenas respirar sentindo saudade dos momentos mais quentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para quem conhece a dureza e o frio como todos nós aqui, odiadores de intestinos – os próprios e os alheios – a solução não é nenhuma novidade. É uma velharia que nos deixa quentes, prontos para derramar sangue em pleno frio. A quem devemos a alegria da semivivência: proponho então um brinde que poucos propuseram antes, se é que já propuseram: a ti, álcool, por todos os serviços prestados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-1831263371824695761?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/1831263371824695761/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=1831263371824695761' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/1831263371824695761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/1831263371824695761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/05/frente-fria.html' title='Frente Fria'/><author><name>billy shears</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_YhCxbJol4bY/SF16n1RGt9I/AAAAAAAAAbc/wI6vGwnmfRM/S220/naked+lunch+destaque.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-2373068595700506179</id><published>2007-04-28T20:50:00.000-07:00</published><updated>2007-04-28T21:24:22.968-07:00</updated><title type='text'>Diálogo pós-morte</title><content type='html'>- Alô ?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Maria ?&lt;br /&gt;- É ela mesma, quem fala ?&lt;br /&gt;- É o José...&lt;br /&gt;- Ah, sim, tudo bem ? Que que aconteceu ? Tá com a voz estranha...&lt;br /&gt;- Eu estou bem sim, mas...não sei como te falar isso...&lt;br /&gt;- Ora, fale logo! Está me deixando preocupada !&lt;br /&gt;- O Joaquim...teu irmão...faleceu essa madrugada...&lt;br /&gt;- Ah meu Deus...&lt;br /&gt;- Ele morreu dormindo, não sentiu nada. Não se preocupe&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- De manhã quando acordamos, não vimos ele lendo o jornal. Estranhamos e fomos ao quarto ver o que havia acontecido. Ele estava deitado, meio encolhido. Parecia mais calmo que nunca.&lt;br /&gt;- Meu Deus...Não nos falávamos há anos ! Vocês já sabem como ou porquê aconteceu ?&lt;br /&gt;- Disseram que o coração parou. Só isso.&lt;br /&gt;- Meu Deus...&lt;br /&gt;- Ele viveu bem. Não passou sequer uma semana doente. Não sofreu. Morreu dormindo. Eu mataria para morrer dormindo e sem sofrer como ele...&lt;br /&gt;- Sim, ao menos isso...morreu dum jeito bom, se é que isso existe.&lt;br /&gt;- O velório será naquele cemitério que o vô de vocês tá enterrado. Nunca lembro o nome daquele lugar.&lt;br /&gt;- Ah, sei onde é.&lt;br /&gt;- Vai ser amanhã às nove da noite.&lt;br /&gt;- Às nove da noite ?&lt;br /&gt;- Sim...&lt;br /&gt;- Não tem como ser mais cedo ?&lt;br /&gt;- Não, aparentemente muita gente morreu e os horários estão reservados.&lt;br /&gt;- Até quando você morre tem que ficar na fila ! Esse mundo...&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;- Mas olhe, aquela lanchonete de lá fica aberta até essas horas ?&lt;br /&gt;- Acho que sim.&lt;br /&gt;- Que bom, não agüento essas coisas sem tomar um cafézinho. Sabe como é...&lt;br /&gt;- Sei sim. Então você vai ?&lt;br /&gt;- Acho que sim, tenho que ver se arranjo alguém pra gravar a novela para mim, senão não sei como farei...&lt;br /&gt;- Ah, entendo...&lt;br /&gt;- Até amanhã, filho. Você serviu meu irmão muito bem todos esses anos. Deixou de ser caseiro e virou um irmão. Obrigado.&lt;br /&gt;- Magina, não fiz mais que minha obrigação. Até amanhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Desligam os telefones)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maldita velha hipócrita...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-2373068595700506179?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/2373068595700506179/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=2373068595700506179' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/2373068595700506179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/2373068595700506179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/04/dilogo-ps-morte.html' title='Diálogo pós-morte'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-9174290354233223588</id><published>2007-04-02T17:34:00.000-07:00</published><updated>2007-04-02T17:35:12.212-07:00</updated><title type='text'>Rotina</title><content type='html'>Estávamos todos sentados esperando nossas bebidas quando percebemos que estávamos ficando velhos. Enrugados e cansados. Cheirando conhecimento supérfluo que todos têm. Comecei a pensar em tudo que já passamos. Comecei a me perguntar o que fazia naquele lugar, e não achei nenhuma resposta. Queria sentar em minha poltrona e ver as horas passarem vagarosas e tranqüilas. Provavelmente tentaria ler algum livro velho e fedido que já havia lido pelo menos três vezes. Após tantos anos, meus amigos viraram fardos, pesados e incômodos de se carregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos conhecemos, tínhamos necessidade de nos ver. Depois a necessidade tornou-se ansiedade. E depois disso virou cansaço e preguiça de mudar a rotina. E hoje, somos velhos que resmungam de suas vidas e lembram dos dias antigos com olhares nostálgicos e cigarros na mão. Bebemos uísques caros e degustamos vinhos. Somos quase tudo que detestávamos e desprezávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as bebidas chegaram estava um silêncio extremamente confortável na mesa. Queria sair daquele lugar o mais rápido possível. Minhas pernas tremiam de excitação. Estava excitado e nem sabia o porquê. Olhava para seus rostos e parecia que olhava num espelho: via exatamente a mesma expressão. Queríamos conversar, mas se fôssemos fazer alguma tentativa falaríamos de ações na bolsa ou de como foi nosso feriado no interior. Nos tornamos mesquinhos e isso é fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém lembra daquela vez que eu subi na árvore e caí de cabeça ? - Perguntei.&lt;br /&gt;- Lembramos sim, conversamos sobre ela ontem - Respondeu um deles.&lt;br /&gt;-Ahh...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossas tentativas de diversão eram no mínimo constrangedoras para o que dava a idéia. Sempre saia do jeito masi errado possível: alguém se machucava, alguém era alérgico a tal coisa, alguém odiava o estilo de música que tocava no lugar, alguém odiava silêncio. Aliás, dizer que odeia silêncio estando conosco é possivelmente a coisa mais idiota de se dizer, já que as nossas conversas têm mais reticências que vírgulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi que essa seria a última vez que sairíamos juntos. Pedi um dose de absinto e tomei de uam vez só. Pedi outra. E depois outra. A única maneira de aguentar aquilo era ficando embriagado. Olhávamos uns nos olhos dos outros e a única cosia que víamos era saudade. Pura nostalgia constrangedora. Quando todos ficamos bêbados nos levantamos para ir embora. Ninguém havia vindo de carro, todos de taxi, sabíamos que ficaríamos bêbados, então achamos melhor não arriscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No taxi fui pensando em tudo que poderia fazer sem precisar sair mais com eles, chegava a estar entusiasmado. Fiquei com vergonha imaginando essas coisas e pedi pro taxista parar, queria ir andando até minha casa. Paguei e saí do taxi. A rua silenciosa e suja fazia-me sentir parte dela. Queria abraçá-la, senti-la em todos seus extremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa e deitei no sofá, e logo quando deitei o telefone tocou. O barulho ecoava em minha cabeça e me fazia sentir cada vez mais cansado e sem vontade de atender. Acabei por atender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô? - disseram&lt;br /&gt;- Sim - respondi&lt;br /&gt;- Chegou bem ?&lt;br /&gt;- Sim, resovli vir andando&lt;br /&gt;- Ah...achei que estivesse cansado.&lt;br /&gt;- E estou.&lt;br /&gt;- Semana que vem no mesmo horário ?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-9174290354233223588?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/9174290354233223588/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=9174290354233223588' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/9174290354233223588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/9174290354233223588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/04/rotina.html' title='Rotina'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-7651045223055130951</id><published>2007-03-27T19:27:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T19:30:29.833-07:00</updated><title type='text'>Marca Marcada</title><content type='html'>Kelvin acordou e tirou a camisa de seu pijama da Lacoste. Calçou seus chinelos Havaianas. Caminhou até o banheiro e escovou os dentes usando pasta da Sonrisal. Lavou as mãos com sabonete da Dove. Foi até a cozinha e comeu sorvete da Kibon. Foi se arrumar pro colégio. Combinou o que tinha que combinar... Redley, Nike Shox, casaco da Adidas. Pegou sua mochila da Buffalo e colocou na cabeça seu boné da Hang Loose. Foi pra escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou na sala de aula. Sentou logo na frente de quem? Johnny. É, o headbanger da sala, calçando All Star, calça Jeans. Johnny odeia Kelvin porque ele escuta Hip Hop. Kelvin odeia Johnny por ele escutar Metal. Mas o que leva eles a brigar muito é Julie, a linda menina com calça da Gang e pulseira da Livestrong.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No intervalo, todo mundo é bem separado. Johnny e seus amigos de preto nunca falariam com Kelvin. Afinal, headbangers nunca falam com playboys. Headbangers e playboys não falam com o pessoal que tira notas boas e joga xadrez no intervalo. As patricinhas só falam com os playboys porque ambos usam marcas tops. Headbangers odeiam todos e usam apenas roupas e marcas exclusivas de seu grupo. Haveria de ser diferente? Claro que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stephen-metaleiro,Jack-playboy e Robert-estudante esforçado já tentaram andar juntos.Para os grupos, isso foi inadmissível. Após um período em que ignoravam os três, chegaram a um dia a dar uma sova nos três.Stephen,Jack e Robert aprenderam a lição. Cada um no seu grupo, sem falar com o outro. O mundo deles é diferente um do outro (mesmo estando na mesma escola), suas marcas são diferentes (mesmo comprando roupa na mesma loja), a sociedade alternativa de cada um nunca poderá interagir com a do outro, pois é pecado. É crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kelvin nem percebeu isso. Voltou pra casa, bebendo Coca-Cola. Em casa, assistiu sua tv da Philips. O pai chegou momentos depois em seu Chevrolet. Sua mãe foi comprar comida no supermercado Wal-Mart. Comprou muita Coca-Cola. Cerveja Budweiser. A irmãzinha de Kelvin, a Lucy, só brinca de Barbie. E só vê filme da Disney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kelvin sobe para seu quarto e passa seu desodorante da AXE, o melhor que tem, segundo o que viu na TV. Já já, ele iria sair pra ir no McDonalds. Saiu de casa, lendo a Playboy que assinava. Era dia da entrega enfim. Bela modelo que escolheram. Claro que aproveitou para ver quais eram os novos sabores da camisinha Jontex, quais perfumes novos que tinham, e aproveitou para pegar o jornal e dar uma olhada se já foi lançada no mercado a bicicleta que ele tanto quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa a caminhar para o McDonalds. Só que de repente, pane no sistema. Ele vê um jovem muito misterioso. Não conseguiu identificar a marca de sua camiseta, da sua bermuda ou do seu chinelo. Não estava usando pulseira nem da LiveStrong, nem do seu time de futebol. Seus óculos também não pareciam de nenhuma marca que ele conhecia. Kelvin saiu correndo, em pânico, como se tivesse visto um filme de terror. De Hollywood, alugado na Blockbuster, visto no seu DVD da Samsung. Mas eu não culpo Kelvin. Ele podia estar bêbado. Uma pessoa usando roupa sem marca? Existe isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então realmente deve dar muito medo. Será que o Apocalipse já começou? E qual será a marca dele? Quem o comprou? A Coca-Cola? O McDonalds? O DreamWorks? A Redley? Não importa. Contanto que dois dos quatro cavaleiros do Apocalipse usem Nike Shox, e o resto use All Star, que problema tem? Mesmo nosso fim tem que ser com classe. Se eles não usarem nenhuma marca, isso vai ser tão &lt;em&gt;demodé&lt;/em&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-7651045223055130951?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/7651045223055130951/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=7651045223055130951' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/7651045223055130951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/7651045223055130951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/03/marca-marcada.html' title='Marca Marcada'/><author><name>billy shears</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_YhCxbJol4bY/SF16n1RGt9I/AAAAAAAAAbc/wI6vGwnmfRM/S220/naked+lunch+destaque.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-2263292385357098251</id><published>2007-03-17T18:12:00.000-07:00</published><updated>2007-03-17T20:07:00.949-07:00</updated><title type='text'>No Restaurante</title><content type='html'>Cheguei no restaurante e sentei-me na mesa ao lado do bar. As cadeiras rangiam e os&lt;br /&gt;barulhos ocos dos sapatos começaram a me incomodar logo que pisei naquele lugar, o vai-e-vem dos garçons me deixava tonto, toda aquela pressa necessária que para mim era extremamente descartável. Comecei a ficar preocupado, aquele encontro com meu irmão após sete anos começava a me preocupar. Não sabia se ficaríamos atolados naquele silêncio constrangedor ou se lembraríamos dos velhos tempos fumando cigarros e sorrindo com olhares nostálgicos. Talvez ele tivesse se tornado um daqueles caras engomadinhos que só sabem dar nó em gravata e esquecem-se como se amarra um cadarço de tênis por tanto usarem sapatos chiques e confortáveis. Talvez ele ainda guardasse raiva de mim e cospisse na minha cara. Talvez ele me abraçasse e chorasse no meu ombro. Realmente não sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como eles lidaram com a minha fuga.(Que não foi bem uma fuga). Meu pai provavelmente nunca mais olhará para mim. Minha mãe deve ter ficado seca e constantemente triste. Minha irmã deve ter chorado noites à fio. Meu irmão não deve ter me compreendido, e só. Afinal, quem lidaria bem quando seu irmão foge de casa, manda uma carta somente três anos depois dizendo que está bem, mas somente quatro anos depois quer se encontrar com alguém ? Juro que não entenderia. Como não me entendia na época que fugi. Aliás, não chamo o que fiz de fugir, eu somente precisava dum tempo. O que posso fazer se esse tempo seria sete longos anos ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai deve ter chorado mais que todos, mas escondido. Ele não me viu crescer, não me&lt;br /&gt;ensinou a dirigir, não me viu levar namoradas para casa. Sinto pena dele até hoje...Às vezes choro imaginando o que eles passaram, mas isso não acontece faz um bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu irmão já estava atrasado vinte minutos. Não sabia dizer se isso era normal ou não.&lt;br /&gt;Torturavam-me pensamentos de que eu era somente um estranho agora. Meu peito doía, já havia fumado um maço inteiro de cigarros desde que tinha chegado. A boca estava seca, pedi um&lt;br /&gt;suco de maracujá ao garçom, mas no meio do caminho pedi para ele voltar e me trazer um&lt;br /&gt;uísque. Bebi duma vez só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro de gordura que vinha da cozinha estava começando a me deixar enjoado. Senpre odiei&lt;br /&gt;essas lanchonetes de beira de estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora de atraso. Duas horas de atraso. Três horas de atraso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os meus cigarros estavam no cinzeiro à mesa. Havia bebido meia garrafa de uísque.&lt;br /&gt;Estava olhando para o chão, levantei o olhar e vi ele parado à porta. Levantei-me e quase&lt;br /&gt;caí pelo efeito da bebida. Ele olhou-me com desprezo, correu em minha direção, abraçou-me,&lt;br /&gt;e saiu porta afora. Nunca mais o vi, nem ninguém de casa. E juro-lhes nada me dói mais que&lt;br /&gt;isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-2263292385357098251?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/2263292385357098251/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=2263292385357098251' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/2263292385357098251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/2263292385357098251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/03/no-restaurante.html' title='No Restaurante'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-4851302491624795651</id><published>2007-02-01T15:49:00.000-08:00</published><updated>2007-02-01T15:50:37.867-08:00</updated><title type='text'>Prisão Corpórea</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Acordou suando frio, a conclusão que obteve após tanto avaliar sua vida na noite anterior o fez ter os sonhos mais atormentadores possíveis. Não suava frio pelos sonhos, nem pela extremidade de sua situação, e sim por esta ser sua única opção mesmo tendo diversas. Sentou-se à sua cama e passou a prestar atenção em todos os barulhos, próximos ou longínquos : desde sua vizinha fazendo sexo às onze da manhã dum domingo– o que lhe fazia sentir mais solitário que nunca –, até ao leve barulho de garoa atingindo a janela de seu quarto calma e pausadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se que havia prometido almoçar com seus primos na casa de sua avó, trocou-se rapidamente; escovou os dentes, calçou o tênis mais confortável que tinha e foi para o banheiro novamente. Parou em frente ao espelho e, por incrível que pareça era possível dizer que estava feliz; sorria para si mesmo, fazia piadas sobre sua aparência e sua barba. Fez tantas piadas que resolveu tirá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou quarenta e cinco minutos atrasado para o almoço na casa de sua avó, seus primos brancos de fome, com certo espanto por causa de seu atraso, sempre prezou pontualidade e chegou atrasado em casa sua avó no dia que ia ver seus primos que não via há quase dois anos. Se ao menos morasse longe eles entenderiam, mas morava pertíssimo, há quatro quarteirões de distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o almoço foi risonho, fez piadas, contou segredos que eles nunca pensariam sobre ele. Algo que deixou sua avó muito nervosa foi quando contou quando perdeu sua virgindade num banheiro de escola. A história causou riso em todos, até em sua avó, que após se recuperar do susto riu até saírem lágrimas de seus olhos mais velhos que os três jovens juntos. Pena que tal história nunca aconteceu. Nosso rapaz além de ser ator assaz competente era ótimo contador de histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltou para sua casa deitou-se no sofá e lembrou-se que não tinha tempo a perder : pegou uma fita adesiva na gaveta de sua mãe, uma caneta em seu estojo, e duas folhas de papel. Em uma delas escreveu a seguinte frase: “Vão para a ponte. Lá, será meu fim e meu começo”. Colou o bilhete no lustre, pegou sua chave na porta-chaves que ficava ao lado da porta e saiu. Mas lembrou-se de uma frase que havia lido num livro e abriu a porta correndo para escrevê-la no papel. A frase era: “Alea jacta est !”*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou até a ponte ainda com a caneta, a fita adesiva e a outra folha em seu bolso. Chegou lá rapidamente; uma caminhada de trinta minutos, no máximo. Perguntou para uma senhora que passava o horário, “Cinco e quarenta e cinco, meu jovem” respondeu a senhora com um sorriso amável e continuou seu caminho. Tinha quinze minutos para pensar no que fazer. Lembrou-se da garota que nunca beijou, de seus pais, seus primos, sua avó, até de sua professora da primeira série chegou a lembrar-se. Pegou o papel e a caneta e pôs-se a escrever : “Hoje, sem sangue e sem dor, sairei de minha prisão”. Colou o papel na grade que o separava da tormenta, riu-se, e saiu andando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* : “ A sorte está lançada”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-4851302491624795651?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/4851302491624795651/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=4851302491624795651' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/4851302491624795651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/4851302491624795651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2007/02/priso-corprea.html' title='Prisão Corpórea'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-116252773058302541</id><published>2006-11-02T20:21:00.000-08:00</published><updated>2006-11-02T20:22:10.586-08:00</updated><title type='text'>Ensaio Sobre Vida e Morte</title><content type='html'>Vejo que não mais pensamos na morte - podes pensar que é um assunto um tanto quanto indigesto, e por que raios deverias ficar pensando em tais cousas ?-, vejo somente que pensamos como viver, pensamos em como fazer nossas enfadonhas vidas valerem o suor que nos corta o rosto, como ganhar mais dinheiro para termos uma rica cheia de prazeres, sem nenhuma agrura. Nunca mais nos pegamos pensando na morte, nem tampouco pelo que morrer, assaz desagradável tema para se discutir, mas de extrema importância. Como podemos viver sem ter uma mínima noção de pelo que morreríamos ? Pergunto-te isso, de sã consciência, por saber que não pensas nisso, mas se não pensas, pensarás, mais cedo do que imaginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegamo-nos pensando em trabalho, pegamo-nos pensando em dinheiro, pegamo-nos pensando em todas as coisas mais desprezíveis e sujas como a anteriormente dita, mas não nos pegamos pensando na travessia mais amedrontadora, e talvez, a mais importante. Todos nossos segundos, minutos, horas, meses, dias, anos, nos levam a esse único momento, o momento que nos transcenderá ao algo inexistente ou existente, o Firmamento ou o Fogo Eterno, ou para os mais cépticos o simples fogo-fátuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabaremos nós em algum lugar tão calmo que até os dias mais calmos de nossas vidas parecerão uma alusão de tranquilidade e que nenhuma daquelas preocupações que tanto nos aturdiram valeram a pena ? Será que nossos amores nos acompanharam como nossos votos nupciais prevêem ? Ou simplesmente acabaremos inacabados ? Acabaremos do mesmo jeito que começamos, sem nada, tampouco alguém, terminaremos sozinhos, libertos, mas presos aos grilhões terrenos de decomposição e aviltamento corpóreo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acabamos todos morrendo velhos, - não que eu não queira morrer velho - sem nunca termos lutado por algo. Por isso que quando vejo os conflitos no Oriente-Médio penso uma única coisa : Nunca vi uma coisa tão idiota que valesse tanto a pena morrer. Sim, podem me chamar de louco, de burro, de qualquer coisa, mas eles, sim eles, morrem por algo que valorizam, e ideais deveriam ser muito mais valorizados que uma aposentadoria e ver os netos crescerem. Não que eu tenha lutado em guerras, não que eu queira lutar, mas como seria bom morrer por algo que valha a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas creio que isso nunca chegará, e caso chegue a minha porta eu me esconda debaixo da cama e grite que não, que tenho medo, ou algo assim, mas o fato de minha vida ser em vão é algo que me entristece demais, saber que meus netos talvez nem me conheçam, ser somente mais um em fotos de família, o um por quem ninguém chorará, o que não terá saraivadas quando abaixarem o caixão; não que eu queira essas coisas, mas não vejo como morrer, sem ser por algo que valha a pena. E sei que vou morrer velho, por um único motivo : Não querer morrer inútil, e é exatamente o que acontecerá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-116252773058302541?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/116252773058302541/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=116252773058302541' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/116252773058302541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/116252773058302541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2006/11/ensaio-sobre-vida-e-morte_02.html' title='Ensaio Sobre Vida e Morte'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-116130548672207873</id><published>2006-10-19T16:19:00.000-07:00</published><updated>2006-10-20T15:04:23.446-07:00</updated><title type='text'>Cansaço - Filosofia de Entardecer</title><content type='html'>Hoje percebo, caro leitor, que vivemos em constantes desencontros, principalmente emocionais. Percebo que não mais gostamos, tampouco amamos as pessoas, somente gostamos de tê-las por perto, e assim começamos a sentir um afeto grande por elas, que talvez não passe de uma simples vontade de não ficarmos sozinhos, mas por fim acabamos ficando. E então nos sentimos como Arnolfo, que vê sua inocente Inês ir-se embora sem poder fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo-lhes isso pois ontem mesmo, estive com pessoas que não via há muito tempo; ficamos quietos olhando para o chão grande parte do tempo, mas via-se amizade ainda existente, porém vaga. E no final, vejo que quando sentia um grande afeto por elas, não realmente as amava, e simplesmente gostava de passar o tempo com elas; e no final das contas, isso importa mais que o amor, pois tal coisa hoje é praticamente utópica, e quando torna-se palpável, extingue-se com a mesma facilidade com a qual se acende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então acabamos como o Sonhador; temos Nastenka por um minuto, vivemos esse um minuto, e o revivemos mil e uma vezes nas nossas mil e uma noites. Acreditamos nesses momentos, nos prendemos a eles, o que nos faz ter saudade do momento, e não das pessoas que o fizeram. O amigo leitor deve achar que estou ficando louco, embora saiba que estou certo, não crê que ele pode ser essa criatura de momentos e vicissitudes, de tempo e não de corpo; e saiba, para mim mesmo é difícil, vejo-me amando momentos e não pessoas. Enfáticos momentos, gloriosos momentos...Ah, que saudade !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por fim vemos que a abstinência amorosa da qual sofremos torna-se somente saudade, e vivemos nossos sonhos, vivemos eternas Noites Brancas, e como o maior de todos nós já disse :  " Um minuto inteiro de felicidade ! Afinal, não basta isso pra encher a vida inteira de um homem ?..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-116130548672207873?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/116130548672207873/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=116130548672207873' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/116130548672207873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/116130548672207873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2006/10/cansao-filosofia-de-entardecer.html' title='Cansaço - Filosofia de Entardecer'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-115732135756178224</id><published>2006-09-03T15:02:00.000-07:00</published><updated>2006-09-03T15:10:21.146-07:00</updated><title type='text'>Empuxo</title><content type='html'>Coloquei minhas vestimentas na cadeira mais proxima&lt;br /&gt;Olhava a minha volta e nada via&lt;br /&gt;Somente o som distante de pessoas,&lt;br /&gt;O canto do vento&lt;br /&gt;E a escuridão da noite&lt;br /&gt;Tirei meu velhos chinelos e os encostei&lt;br /&gt;Suspirei.&lt;br /&gt;Encarava a água que estava a espera de mim&lt;br /&gt;Da beirada, olhava para baixo e via meu reflexo&lt;br /&gt;Tudo  parou&lt;br /&gt;As vozes já não faziam som algum&lt;br /&gt;Nem mesmo o vendo cantava mais para meus ouvidos&lt;br /&gt;Fui de encontro com a água&lt;br /&gt;Ela que me benzia por todo&lt;br /&gt;cada fio de cabelo&lt;br /&gt;cada centimetro&lt;br /&gt;E senti a mais pura sensação de liberdade&lt;br /&gt;Era tudo tão paradoxal ao que eu sentia dentro de mim&lt;br /&gt;Nada mais importava&lt;br /&gt;Todos os tabus não existiam mais&lt;br /&gt;Não pensava em nada&lt;br /&gt;Apenas no som do infinito a me guiar&lt;br /&gt;e quando de volta a superficie&lt;br /&gt;Os sons das pessoas voltara&lt;br /&gt;A brisa congelava&lt;br /&gt;e noite reprimia novamente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-115732135756178224?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/115732135756178224/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=115732135756178224' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/115732135756178224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/115732135756178224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2006/09/empuxo.html' title='Empuxo'/><author><name>Lilaaa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13690069726696419335</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-115681960665297862</id><published>2006-08-28T19:13:00.000-07:00</published><updated>2006-09-02T19:37:35.903-07:00</updated><title type='text'>Ônibus</title><content type='html'>Sentei-me e encostei a cabeça no vidro, achei que não demoraria muito para adormecer, estava muito cansado, sentindo uma terrível raiva, um tédio indizível, e uma enorme repulsa a todas as coisas que estavam à minha volta.  Comecei a ponderar sobre tudo que acontecia, e como acontecia, meu peito doía, minhas mãos tremiam. Quando pensei que ia chorar, vi uma criança e seu pai entrarem no ônibus. A criança tinha um sorriso tão belo e inocente em seu rosto que me fez esconder meu rosto estre as mãos. Resolvi não olhar para eles, mas eles se sentaram na minha frente. Comecei a escutar a conversa deles :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, sabe o que eu faria se eu fosse rico ? - Disse o menino com sua voz suave e ansiosa.&lt;br /&gt;- O que meu filho ? - respondeu seu pai com aquela voz que todo pai tem que ter : grave e amigável.&lt;br /&gt;- Um monte assim de pirulitos, ó - e abriu seus braços o máximo que pôde. Vendo esta cena eu dei uma risada abafada, lembrava-me de meus primos que ainda eram crianças e de mim em um vídeo de quando pequeno.&lt;br /&gt;- Então meu filho, estude para ser alguém e poder comprar todos esses pirulitos - Disse o pai, e o menino começava a rir descontroladamente, assim, como se tivesse escutado a melhor piada do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora, já com idade avançada,  entrou na parada seguinte, e como só havia três pessoas no ônibus e o frio era grande, resolveu sentar-se ao meu lado e disse-me :&lt;br /&gt;- Está muito frio meu jovem, calor humano - E sorriu do jeito que somente senhoras conseguem, com um ar de bondade e sinceridade explicitos em cada centímetro de seu rosto enrrugado pelo tempo. Só respondi com um sorriso tímido, como sempre fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após isso coloquei-me novamente a escutar a conversa. O menino que agora estava um pouco mais calado dava pulos quando via um carro chique na rua, era uma cena divertida de se ver :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, quando eu for rico, - Disse olhando sério para o pai - eu vou comprar um carrão desses pro senhor, outro pra mamãe, outro pra mim ! - E o pai pôs-se a rir e disse:&lt;br /&gt;- Deus te ouça meu filho...Deus te ouça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como, mas aquele garoto conseguia me fazer feliz, talvez simplesmente por estar feliz ele me deixava feliz. Mas quando percebi que me nutria de sua felicidade fiquei com nojo de mim. A velhinha também estava encantada com o garotinho, e resolveu falar :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quantos anos você tem, meu bem ? - disse com aquela voz rouca e animada.&lt;br /&gt;- Tenho quatro - disse o menininho levatando todos os dedos da mão, ao invés de somente quatro,  fazendo a senhora rir. Ela tirou uma bala da bolsa e deu para ele dizendo, " Sempre carrego uma balinha, tenho um netinho da sua idade", e acariciou o nariz dele de leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai do menino e a senhora tiveram uma longa conversa, mas eu não estava interessado neles : o garoto sim era interessante. Até que em um momento ele disse quando um avião nos sobrevoou :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, quando eu for rico, vou comprar um avião pra cada pessoa que a gente conhece, até pra esse menino aí ! - e apontou para mim. Aquilo me causou uma sensação estranha, senti um ódio repentino por ele e disse, " Não preciso não, obrigado". Depois disso,  pedi licensa e disse "Esse é o meu ponto".  Dei sinal para o ônibus parar, rapidamente quando ele chegou ao ponto desci, aquela não era a rua que eu ia descer, mas foi lá que eu desci, e também foi a última vez que os vi&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-115681960665297862?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/115681960665297862/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=115681960665297862' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/115681960665297862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/115681960665297862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2006/08/nibus.html' title='Ônibus'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-115646626180601078</id><published>2006-08-24T17:13:00.000-07:00</published><updated>2006-08-25T20:54:21.086-07:00</updated><title type='text'>O Velho Mendigo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Todo dia, seguia a mesma rotina : acordava, e começava a andar pelas esquinas pedindo esmolas; fazia isso até o sol esquentar seus ossos, ou até a falta dele fazê-lo tremer de frio. Escolhia um lugar para ficar, e de lá não saia. Pedia esmolas para beber, porém, poucas vezes conseguia dinheiro para comprar bebida, vivia de pães mofados que beatas davam-lhe por pura piedade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Tal rotina nunca fora mudada, e nem se recordava do tempo em que essa vida era vista como algo repulsivo, algo do qual até em sonhos o enojava e o fazia acordar berrando em noites frias. Mas em um dia em que essa rotina se repetia, resolveu levantar-se e andar, simplesmente andar. As tristes ruas pálidas e lôbregas, faziam-no sentir saudade de sua infância - apesar de não lembrar dela-  onde tudo era simples : se tivesse medo, agarrava-se ao seu pai, se ficasse machucado, sua mãe ia até ele e assoprava seu machucado e dizia : " Já vai sarar meu filho". Mas ele não se lembrava dessas coisas, somente viu mães fazerem isso com seus filhos, pois ele, nunca havia sido criança, nascera do chão, filho de ninguém, filho da tristeza, e da solidão, filho de toda a avareza do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Já havia andado mais de uma hora quando resolveu sentar-se. Começou a imginar como poderia ter sido sua infância, adormeceu ali mesmo, não estava cansado, mas mesmo assim dormiu como há tempos não dormia. Não sonhou, teve um sono leve e relaxado, mas não chegou nem perto de sonhar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Acordou de súbito, como se estivesse caindo, levantou-se e viu-se no mesmo lugar, desatou a chorar, não por ser mendigo, não por ser miserável, mas por não ter asas. Queria sair dali e poder viver sua desgraça longe de todos, não fazia questão de deixar de ser pobre e não ter onde morar, só não queria mais que o vissem daquele jeito, e então resolveu sair da cidade e nunca mais voltar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Levantou correndo, não sabia para onde ir, olhou para um lado, e resolveu ir para aquele, começou a correr desenfreado, esquecera-se de tudo, e não ligava para mais nada, as lágrimas escorriam seu rosto sujo, que agora tinha um sorriso formado, e seus dentes podres apareciam, fazendo sua débil face parecer mais amena e menos triste. Correu rápido demais, suas pernas não o acompanhavam, e em sua indizível virilidade instantânea,  não viu um semáforo fechar, atingido fora por um carro, morrera lá, na mesma hora, chorando e com um sorriso torto em seus lábios.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-115646626180601078?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/115646626180601078/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=115646626180601078' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/115646626180601078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/115646626180601078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2006/08/o-velho-mendigo.html' title='O Velho Mendigo'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33030018.post-115604282087571271</id><published>2006-08-19T19:42:00.000-07:00</published><updated>2006-08-19T20:00:20.883-07:00</updated><title type='text'>Crônicas Insólitas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Cá, iremos postar algumas crônicas para entretê-los, e para nos divertir, pois se não gostássemos de fazer isso, não faríamos. E caso pense que sua opinião é de suma importância a nós - donos desta coisa - não diria que você está errado, nem tampouco certo, e fecho este pequeno parágrafo desejando uma longa vida a este blog.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33030018-115604282087571271?l=cronicasinsolitas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/feeds/115604282087571271/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33030018&amp;postID=115604282087571271' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/115604282087571271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33030018/posts/default/115604282087571271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasinsolitas.blogspot.com/2006/08/crnicas-inslitas_19.html' title='Crônicas Insólitas'/><author><name>Luden</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07631151009884041117</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_FkZCvqSdjO0/SigdVm8Tl9I/AAAAAAAAAAM/IqHWxqmONVo/S220/Foto+tirada+de+mim+tirando+foto.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
